sábado, 2 de abril de 2011
O Senhor e o escravo - Hegel
Dois homens lutam entre sí. Um deles é pleno de coragem, aceita arriscar sua vida no combate, mostrando assim que é um homem livre, superior à vida.
O Outro, que não ousa arriscar a vida é vencido.
O venvedor não mata o prisioneiro, ao contrário, conserva-o cuidadosamente como testemunho e espelho de sua vitória.
O senhor não cultiva seu jardim, não faz cozer seus alimentos, não acende seu fogo : ele tem o escravo para isso. O senhor não conhece os rigores do mundo material, uma vez que interpôs um escravo entre ele e o mundo.
O senhor, porque lê o reconhecimento de sua superioridade no olhar submisso de seu escravo, é livre, ao passo que este último se vê despojado dos frutos do seu trabalho, numa situação de submissão absoluta.
Entretento, essa situação vai se transformar dialeticamente porque a condição do senhor abriga uma contradição interna : o senhor só o é em função da existencia do escravo, que condiciona a sua.
O senhor só o é porque é reconhecido como tal pela consciência do escravo e também porque vive do trabalho deste escravo. Nesse sentido, ele é uma espécie de escravo de seu escravo.
O escravo, que era mais ainda escravo da vida do que escravo de seu senhor, vai encontrar uma nova forma de liberdade. O escravo incessantemente ocupado com o trabalho, aprende a vencer a natureza ao utilizar as leis da matéria e recupera uma certa forma de liberdade ( o dominio da natureza)
Por uma conversão dialética, o trabalho servil devolve-lhe a liberdade. Deste modo o escravo, transformado pelas provações e pelo próprio trabalho, ensina a seu senhor a verdadeira liberdade que é o dominio de sí mesmo.
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